"Não é possível refazer este país, democratiza-lo, humaniza-lo, torna-lo sério, com adolescentes bricando de matar gente, ofendendo a vida, destruindo o sonho, inviabilizando o amor. Se uma educação sozinha não transforma uma sociedade, sem ela a sociedade tão pouco muda." Paulo Freire

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

COMO DIZER NÃO AO PALAVRÃO

"Como devo proceder para coibir o uso de palavras obscenas em classe?”

Rosineide P. da Silva Matias, Macaíba, RN

Sala de aula agitada. Os alunos trabalham em grupo e o professor percorre a classe, acompanhando de perto as atividades. Durante as discussões alguém solta um palavrão e o mal-estar se instala no ambiente. Situações desse tipo não são raras. Para evitar que ocorram, é preciso conversar com a garotada logo no início do ano, quando as regras escolares são apresentadas. Comece falando sobre princípios que estão acima de normas, como "não bater". Este é universal. Aplica-se em qualquer lugar e tempo e com estudantes de qualquer idade.

Depois chegue às normas específicas, como a proibição do palavrão, em que não existe nenhuma lógica profunda. Esse preceito tem por base uma convenção. "Prova disso é que muitos dos termos atualmente aceitos pela sociedade não eram admitidos há 40 anos", explica Yves de La Taille, professor do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (USP).

No momento em que o palavrão é pronunciado em classe, a primeira coisa a fazer é relembrar que não usar termos obscenos ou grosseiros é norma escolar, assim como usar uniforme ou respeitar os horários. "Envolver toda a classe na discussão, colocando como tema central as regras de convívio, é a melhor maneira de conseguir sensibilizar os estudantes", afirma La Taille. Outros pontos também podem fazer parte da reflexão, como a boa educação. Argumente que palavras de baixo calão impossibilitam uma boa comunicação e um trato respeitoso, além de enfraquecer a capacidade argumentativa.

O professor da USP alerta que é possível tratar a questão de maneiras diferentes com crianças e adolescentes. "Na hora do intervalo, os jovens podem manter um papo amigável usando um vocabulário grosseiro. E isso é uma resolução que só interessa a eles", explica. "Já no caso dos pequenos, como ainda estão em fase de formação, os palavrões nunca devem ser permitidos”.

Para evitar:

Discuta a proibição do palavrão logo no início do ano, esclarecendo que esse princípio é uma convenção, diferente daqueles que são universais, como o de não bater;

Crie com a turma regras de convívio (o que pode e não pode) e de uso da linguagem (quais os termos autorizados e em que situações podem ser ditas);

Determine sanções que serão aplicadas em caso de desrespeito ao que foi convencionado coletivamente.

Como resolver:

Retome o que foi combinado previamente;

Aplique a punição prevista e nunca deixe o fato passar sem que seja discutido pelo grupo.

Fonte: www.novaescola.com.br edição Nº 166

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